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Crianças de Ouro Preto
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Fotógrafo viajando significa toneladas de fotos. Sempre com a câmera na mão, cada instante rende uma nova captura. Depois, na chegada de volta em casa, hora de separar o joio do trigo e tratar, jogar fora o que não gostou (o que eu nunca faço – haja HD!) e começar a organizar o resultado de um dedo leve em local novo.

Mas há sempre aquela foto que vale por todas as outras. Nem sempre é a melhor foto, mas a que te tocou de alguma maneira.

Estava em Ouro Preto, cidade histórica e bucólica no meio de montanhas de Minas Gerais que outrora encheram os bolsos lusitanos e ingleses, andando com minha esposa pelas ruas, conhecendo a cidade como se deve fazer, quando me deparei com estas duas crianças, provavelmente esperando alguém dentro de um carro estacionado do outro lado da rua. Estavam contentes, brincando, quando mirei a câmera e gritei um “Oi!”. Elas ficaram eufóricas! Uma alegria imensa de terem sidos notados por alguém com uma câmera. A alegria foi recíproca. Cliquei e abri um sorriso pra elas. E ao sair caminhando, acenei com um adeus prontamente correspondido novamente com euforia pelas crianças.

Saí dali feliz e de ânimo renovado. A foto valeu por cada clique feito na viagem (que não foram poucos).

Seguindo pelo Alentejo, com plantações de cortiça e oliveiras por toda via A6 e depois pela A66 na Espanha, chegamos à Andaluzia, mais precisamente em Sevilla. Um calor de fazer inveja ao sertão nordestino me fez comentar com um local. A resposta? “Hoje está fresquinho. Esses dias estava 42ºC na sombra”. Mas a cidade é toda preparada para este clima. Tanto que o horário comercial é na parte da manhã, fecha-se pela tarde e reabrem à noite, quando o sol já se foi.

A cidade é facilmente a mais bonita que visitei em toda minha vida. Um pouco menos limpa que cidades de Portugal, mas pra quem está acostumado com o Brasil, é um brinco. Onde se olha é uma cena bonita. Uma ruazinha fotogênica, uma igreja gigantesca, um café ou o Metropol Parasol, as famosas Setas de Sevilla. O pôr-do-sol em cima desta moderna construção no coração da cidade é daquelas experiências pra se guardar por toda a vida.

O Real Alcázar é um dos palácios ainda ativos mais antigos do mundo. Quando a família real da Espanha vai para Sevilla, é lá que se hospedam. Prédios com estilos muçulmanos, românticos e góticos se fundem com o mudéjar, tradicional estilo sevillano de origem islâmica. Em volta, enormes jardins trazem tranquilidade e mais beleza.

A Plaza de España foi construída em 1929 para abrigar a Exposição Ibero-Americana da Feira Mundial, e foi projetada pelo arquiteto Aníbal González. Uma enormidade em semi-círculo situada no Parque Maria Luisa que já foi locação para diversos filmes, incluindo Star Wars, o Ataque dos Clones como uma cidade do planeta Naboo.

Apenas dois dias foi pouquíssimo tempo para explorar essa cidade maravilhosa. Andamos como se não houvesse amanhã, mas a vontade é de voltar para passar mais tempo.

Dica:Se for visitar Sevilla, não deixe de experimentar uma clássica porção de churros com chocolate quente. Totalmente diferente do que vocês estão acostumados.

Encravada entre dois castelos, Sintra fica pertinho de Lisboa e é ideal para um passeio de um dia partindo da capital. Uma cidadezinha cheia de mistérios, onde a influência árabe se apresenta por todos os lados, em fontanários e casarões. Isto porque por muito tempo a cidade foi de domínio muçulmano, depois de ter sido de domínio romano.

Vale a pena uma visita so pitoresco Castelo de Sintra, com suas cores vivas e interior cheio de exageros. O Castelo dos Mouros não tive a oportunidade de visitar, mas será visita confirmada numa próxima vez.

Já a Quinta da Regaleira é, de longe, o lugar mais misterioso. O local conta com enormes jardins cheios de grutas, lagos e as construções enigmáticas projetadas pelo italiano Luigi Manini. Referências à maçonaria, aos templários e alquimistas estão por todo canto. O poço iniciático, como uma torre ao contrário, tem patamares na escada à baixo que representam os 9 círculos do Inferno da Divina Comédia de Dante.

Quem passar pela cidadezinha terá um dia bem gostoso e agradável. Principalmente se passar na Fábrica de Queijadas da Sapa e comer as deliciosas queijadinhas que são feitas desde 1756. As queijadas são tradição de Sintra, e eram usadas como forma de pagamento por volta do ano de 1227. Aproveite pra levar para viagem.

Uma dos princípios mais falados desde que Henri Cartier Bresson saiu pelas ruas com uma Leica em punho é o do “momento decisivo”. Trata-se daquele momento que o fotógrafo de rua espera o tempo todo. Aquela conjunção astro-física que faz com que uma cena perfeita se forme em frente à você com sua lente. O homem pulando a poça d’água e tendo seu corpo todo refletido. Uma eterna espera que, na maioria das vezes, nunca acontece.

Não é este momento que me fascina. São todos os outros.

Quando andamos pelas ruas sem o olhar fotográfico, simplesmente fazendo os caminhos de nosso dia-a-dia, não percebemos lugares nem pessoas. É um movimento automático quase robótico que tornam os indivíduos à nossa volta quase que imperceptíveis e os lugares mais do mesmo.

Já quando saímos olhando as cenas do cotidiano, as pessoas, como elas se relacionam entre si, com o meio, e com elas mesmas, tudo é diferente. É nisso que vejo a beleza. O que para outras pessoas é banal, como duas pessoas conversando num banco de praça, pra mim é uma cena interessante de duas pessoas que, naquele momento, são únicas no mundo.

Nas minhas fotografias de rua, é isto que procuro retratar. As relações humanas. Suas reações e interações sejam entre elas, seja com o meio. Até mesmo quando o fator humano não esteja na foto, mas um sinal intrínseco dele naquela cena.

O AlgarveA região do Algarve tinha tudo para ser um ponto alto da viagem, mas acabou sendo um pequeno pesadelo por puro azar e falta de planejamento. Dois dias que se tornaram apenas um em consequência de ter perdido um dia quase inteiro em uma oficina com o carro alugado. Isso eu conto mais adiante.

O Algarve é um lugar extraordinário. As praias de águas azuis e verdes, as formações rochosas e areias amarelas dando ao mar uma moldura dourada são, sem dúvida, as maiores belezas naturais que já vi na vida.

Faro, Algarve

Tive na Praia de Faro um dos momentos mais inesquecíveis da minha vida. Nenhum acontecimento grandioso. Apenas passei um bom tempo sentado em um banco à beira mar, sentindo a brisa gelada vinda do oceano e vendo o sol se por no horizonte, deixando dourado o rosto da minha esposa enquanto conversávamos e riamos de tudo.

No outro dia a Praia da Marinha foi o destino que permanecemos mais tempo. Uma das mais bonitas do planeta, com uma faixa estreita de areia e um mar estupidamente bonito. Os homens de cueca branca molhada e as velhotas de topless a gente apaga da mente.

Praia da Marinha

No início da praia ainda há um acesso estreito para uma outra praiazinha que foi outro grande momento. Aqueles de ficar só observando o mar ao lado de quem amamos, em um local estonteante.

Praia da Marinha 2

Infelizmente, depois disso, já na cidade de Lagos, o pneu do carro alugado estourou. Na Europa o estepe não é obrigatório. Ao invés disso, há no porta-malas um kit conserto para pequenos furos, que no caso de um belo corte, não adiantou. Resumindo muito, tivemos de comprar dois pneus novos do nosso bolso para voltar para Lisboa. Isso sem contar com o perrengue do cartão de crédito bloqueado. Tudo isso fez com que não aproveitássemos o Algarve como deveríamos e queríamos. Mas a beleza do litoral sul lusitano vai ficar em nossas mentes para sempre.

Voltaremos!

ÉvoraPegar um carro em Lisboa e sair dirigindo pela rodovia A6 olhando as paisagens repletas de oliveiras e montanhas com castelos já foi um ótimo começo para o que viria alguns quilômetros depois. Évora fica no coração do Alentejo e é conhecida como a capital da região. O centro histórico da cidade circundado por uma enorme muralha construída no século III conserva a aura medieval de uma cidade que foi conquistada e reconquistada por vários povos.

Estivemos por lá apenas dois dias no fim de semana. A cidade completamente vazia, pacata, com suas casas de paredes brancas e ruas estreitas, me fez sentir os séculos passando como se fossem uma brisa que se contorce pelos becos.

Os vinhedos que se espalham nos arredores da cidade produzem os meus vinhos preferidos. Os verdadeiros alentejanos combinam perfeitamente com a cidade.

Vinhedos

O pôr-do-sol visto a partir do Jardim de Diana, em frente ao Templo Romano, é único. Cenas que passam em câmera lenta aos olhos e mente, fazendo pensar que tudo na vida valeu a pena para que chegasse aquele momento. Pude viver para contemplar o laranja do horizonte esvanecendo em um azul forte e se tornando negro como se a noite esperasse por alguns minutos para chegar, somente para que tivéssemos tempo suficiente para contemplar as revoadas de andorinhas.

Évora é poesia concreta.

Évora

Não existe lugar que eu tenha visitado que há tanta luz quanto em Lisboa. Andar pelas ruas lisboetas sem um bom par de óculos de sol é impossível. É maravilhoso passar o dia coberto desta luminosidade que faz brilhar as polidas pedras do calçamento e realça os azuis dos azulejos das fachadas e do calmo rio Tejo.

Pescador no Rio Tejo

Como é bom caminhar por Belém sendo abraçado pela tranquilidade do português. Tomar uma meia de leite e comer os verdadeiros pasteis de Belém ainda quentes e crocantes. Pegar o trem até o Cais do Sodré e observar o movimento constante de pessoas embarcando e desembarcando, passeando ou atrasadas para o trabalho.

Pôr do Sol no Tejo

Sentir a alma da cidade percorrendo as estreitas ruas do Chiado com pessoas de todos os lugares do planeta circulando, conversando e sorrindo. Porque é isto que Lisboa provoca: sorrisos, quando num dourado entardecer paramos para tomar um refrescante Mazagran na Praça Luís de Camões observando o vai e vem dos Elétricos, sentamos nas muretas do Cais das Colunas vendo o sol deitar-se por trás da extensa Ponte 25 de Abril, ou tomando uma taça de vinho no mirante do Castelo de São Jorge sobre o mar de telhas vermelhas.

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Em Lisboa me sinto em casa, e a luz abre os olhos para a vida.

 

Igreja Paroquial de Santo Ildefonso
Igreja Paroquial de Santo Ildefonso – Bruno Silva – Todos os direitos reservados.

Estive, neste último mês de setembro, realizando um sonho de criança: visitar Portugal. Sempre tive uma certa fascinação por conhecer o país que, tirando todos os fatos ruins da colonização, é o berço da nossa cultura e sangue de parte da minha família.

Dezessete dias não foram suficientes e só me deixaram com vontade de ficar mais e mais neste país lindo de gente simpática e calorosa. Fui muito bem tratado em todos os lugares que fomos e por todas as pessoas com que falamos. Passamos por Lisboa, Sintra, Évora, Faro, Lagos e Porto em Portugal. Na ida ainda passamos algumas horas em Paris (FR) e durante a viagem passamos alguns dias em Sevilla (ES).

Las Setas de Sevilla (Metropol Parasol)
Las Setas de Sevilla (Metropol Parasol) – Bruno Silva – Todos os direitos reservados.

Nos próximos posts vou escrever sobre cada cidade e mostrar algumas fotos. Parte delas estará disponível para comprarem em qualidade fineart aqui no site para decorar sua casa ou dar de presente.

 

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Job novo no ar! Em abril deste ano fui contatado pela Radisson diretamente do Reino Unido. Precisavam de um fotógrafo que tivesse o perfil da nova rede de hotéis que inaugurariam em Campinas para indicar lugares da cidade e fazer fotos para um City Guide que ficaria no site do hotel.

A Rede RED da Radisson é um novo conceito de hotéis voltado à arte, moda e música. É quase um “hotel galeria”. Me identifiquei e topei na hora.  Foram 55 indicações de locais, mais de 200 fotos, trabalhando de sol à sol, dia e noite. Guia da cidade estava entregue, e, finalmente ele está no ar (ainda somente na versão em inglês). Os textos foram escritos pela agência.

Clique aqui para conferir o guia! Campinas City Guide

Um trabalho extremamente gratificante poder mostrar minha cidade através dos meus olhos, indicar lugares que eu acho merecedores de uma divulgação maior, pontos fantásticos desta metrópole que ainda conserva ares do interior. Uma cidade que resistiu à epidemias, declínio do café, e com tantos problemas atuais de distanciamento entre classes sociais, segurança, etc.

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Que minha cidade e principalmente sua população possam imprimir um ritmo acelerado de desenvolvimento, melhorias em todos os setores, com maior inclusão social, mais oportunidades para todos e que possa passar por este período difícil do nosso país e sair ainda mais forte.

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Obrigado à rede Radisson pela oportunidade. Que turistas e a própria população possa utilizar deste guia para se divertirem mais e conhecerem mais da nossa cidade.

Existe um lugar que eu sempre quis parar para fazer retratos da minha esposa na “hora dourada”, aquele finzinho de tarde em que a luz do sol se torna alaranjada e evidencia a beleza de tudo que ela ilumina. Mas toda vez que eu passava por aquele local nesta hora, estava sem câmera. E quando estava com a câmera, me atrasava por algum motivo. Mas neste fim de semana foi diferente.

Finalmente pude, em hora justa, passar por aquele ponto com a câmera e com minha esposa. O local estava enfestado de malditos mosquitos borrachudos, o que fez a gente bater algumas fotos rapidamente e entrar correndo no carro. Mas o resultado foi o que eu esperava: fotos douradas, silhuetas em cor de fogo e lindos reflexos.

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